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Como cobrar o SLA da operadora com provas

Para cobrar o SLA de uma operadora, a empresa precisa mostrar, queda por queda, o que aconteceu e quando: o horário, o número chamado, o código SIP, a causa Q.850 e o tempo fora do ar, já com as manutenções descontadas. Uma queda que o cliente percebeu é difícil de contestar; uma que o teste registrou, não.

Resumo

  • A cobrança começa no contrato: o período de medição, o que conta como indisponibilidade, a janela de manutenção e quem mede.
  • A prova é um registro feito no momento, de fora da rede, com horário, número chamado, código SIP e causa Q.850 de cada chamada de teste.
  • A disponibilidade é (período − manutenção − tempo fora do ar) ÷ (período − manutenção) × 100; a calculadora de SLA faz a conta para qualquer meta.
  • Em 99,9%, o limite é de 8 h 45 min 36 s fora do ar por ano de 365 dias, ou 43 min 12 s por mês de 30 dias.
  • O tempo em que o próprio monitoramento ficou sem visibilidade não é queda do circuito e deve ficar fora da conta.

Como cobrar o SLA da operadora?

Em três partes: o que o contrato promete, o que foi medido e a conta entre os dois. Sem a primeira, não se sabe o que cobrar; sem a segunda, não há o que mostrar; sem a terceira, a cobrança é uma opinião. Um SLA só é cobrável quando alguém mediu.

O que o contrato precisa dizer?

Antes de aceitar uma meta, combine por escrito:

  1. o período de medição (ano ou mês) e o fuso horário;
  2. o que conta como indisponibilidade: só a chamada que não completa, ou também a chamada muda e a qualidade abaixo do limite;
  3. como a manutenção é avisada e qual a janela máxima;
  4. quem mede, e como: a medição da operadora, a sua, ou uma independente;
  5. qual evidência vale para abrir uma contestação, e o prazo para pedir o crédito.

Se o contrato já existe e não diz isso, a primeira cobrança serve também para combinar o critério. O guia SLA de telefonia: cálculo anual e mensal detalha cada ponto.

Que provas levar?

Uma prova boa é um registro feito na hora, de fora da sua rede, que a operadora consegue conferir. Para cada queda:

Campo Para que serve
Horário de início e de fim, com fuso Mede a duração e localiza a falha nos registros da operadora
Número chamado e número de origem Diz qual circuito e qual rota falharam
Código SIP de cada chamada de teste Mostra como a rota recusou, por exemplo SIP 503
Causa Q.850 Dá o motivo, como a causa 34
Call-ID Permite à operadora achar a chamada exata
O que se ouviu Distingue silêncio, ocupado e mensagem da operadora
Duração e resultado das chamadas seguintes Mostra quando o circuito voltou

Os códigos e as causas estão explicados em Chamadas falhando: diagnóstico. Uma queda registrada com esses campos é difícil de contestar; a percebida por um cliente que reclamou, não.

Como calcular a disponibilidade?

Disponibilidade = (período − manutenção programada − tempo fora do ar) ÷ (período − manutenção programada) × 100. A calculadora de SLA do site faz essa conta para qualquer meta e já considera as janelas de manutenção: use a Calculadora de SLA.

Duas referências para a conversa com a operadora, em 99,9%:

Período Tempo fora do ar permitido
Ano de 365 dias 8 h 45 min 36 s
Mês de 30 dias 43 min 12 s

Cada queda entra na conta pelo tempo medido, e o tempo medido depende da frequência do teste: com uma chamada a cada 15 minutos e novas tentativas a cada 2 minutos depois de uma falha, o início e o fim de cada queda ficam marcados com poucos minutos de margem.

O que fica fora da conta?

  • Manutenção programada, avisada e dentro da janela combinada.
  • Falhas causadas pelo próprio cliente, como um PABX desligado na filial, quando o contrato é com a operadora e o defeito não está nela.
  • O tempo em que o monitoramento ficou sem visibilidade por um problema dele mesmo. Um teste que não pôde ser feito não diz nada sobre o circuito.

Colocar essas exceções no relatório, e não escondê-las, é o que torna o número defensável: a operadora percebe que a conta é honesta.

Como montar a cobrança, passo a passo?

  1. Junte o relatório do período (ano ou mês, conforme o contrato) com as quedas e a disponibilidade.
  2. Liste as quedas em uma tabela, uma por linha, com os campos acima.
  3. Desconte as manutenções que foram avisadas dentro da janela.
  4. Compare com a meta e calcule a diferença em minutos.
  5. Abra o chamado com a tabela e o relatório, e peça que a operadora confira as rotas nos horários indicados.
  6. Guarde os relatórios mês a mês. O número dos últimos 12 meses é o que fecha o ano.

O crédito, a multa ou a rescisão são o que o contrato prever; a forma de pedir e o prazo também. Isso é assunto para o seu jurídico, e este guia não é parecer jurídico.

O que o Monitor da 2N5 entrega?

O Monitor da 2N5 liga do Brasil para cada circuito de voz, em agenda própria, e guarda o resultado de cada chamada de teste. Todo mês envia por e-mail um relatório de SLA com a disponibilidade do mês e dos últimos 12 meses, cada incidente com a duração, o tempo total fora do ar e a disponibilidade por circuito e por operadora. Um período em que o teste não pôde ser feito por um problema do lado da 2N5 fica fora da conta e aparece separado. Para uma obrigação do atendimento ao consumidor, veja também Decreto do SAC e RGC.

Perguntas frequentes

Como cobrar o SLA da operadora?

Abra o chamado com um relatório de disponibilidade e a lista de quedas: horário e fuso de cada falha, número chamado, código SIP, causa Q.850 e duração. Some o tempo fora do ar, desconte as manutenções avisadas e compare com a meta do contrato. Confira antes se o contrato define a forma de contestação e o prazo para pedir o crédito.

Que provas valem na contestação com a operadora?

Vale o que a operadora consegue localizar nos próprios registros: horário com fuso, número de origem e destino, código SIP, causa Q.850 e Call-ID de cada tentativa. Um registro feito no momento, por chamadas de teste de fora da rede, é mais difícil de contestar do que a lembrança de que o número ficou fora do ar.

99,9% de disponibilidade é quanto tempo fora do ar?

Em um ano de 365 dias, 8 horas, 45 minutos e 36 segundos. Em um mês de 30 dias, 43 minutos e 12 segundos. Em uma semana, 10 minutos e 5 segundos. Em um dia, 1 minuto e 26 segundos. A calculadora de SLA do site mostra o valor para outras metas e inclui as janelas de manutenção.

A manutenção programada conta como queda?

Normalmente não, se foi avisada com a antecedência que o contrato pede e ficou dentro da janela combinada: ela sai do período antes da conta. O que passa da janela conta como queda a partir do momento em que a janela terminou. Por isso a janela precisa estar registrada antes de começar.

O que fazer se a operadora contesta a medição?

Mostre a sequência de chamadas de teste do período, com o resultado de cada uma, e peça que ela confira as rotas nos horários indicados. Se o contrato diz quem mede, use essa medição como referência e a sua como evidência de apoio. Dúvidas de interpretação do contrato são para o seu jurídico.

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